A peça · Margem
Quanto custa imprimir uma peça: a conta em quatro parcelas
Custo por grama · Leitura de 5 minutos

Neste artigo
O custo da peça não mora no preço da máquina. Ele mora em quatro parcelas que você paga toda vez que a mesa esquenta.
Gramas de filamento, hora de máquina, energia e desgaste de bico e chapa. As quatro somam o custo de uma impressão, e o fatiador já entrega as entradas das duas primeiras antes de você apertar o botão.
Todo valor em reais aqui é exemplo, escolhido para a conta rodar na tela. Nenhum deles é cotação de mercado: troque cada entrada pela sua nota e pela sua conta de luz.
Parcela 1: as gramas de filamento
O fatiador informa a massa da peça em gramas antes de imprimir. É o número mais confiável da conta, porque ele sai do próprio caminho que a máquina vai percorrer.
O custo por grama sai de uma divisão só: preço do rolo dividido pela massa do rolo. O rolo padrão traz 1 kg de material, ou seja, 1000 g. Se o seu rolo tem outra massa, troque o divisor.
Exemplo, e só exemplo: um rolo de 1 kg que custou R$ 120 dá R$ 0,12 por grama. Uma peça de 40 g fica em R$ 4,80 de filamento.
Duas configurações mexem no número sem trocar de modelo: o número de paredes e o preenchimento. A mesma peça sai bem mais leve com preenchimento menor, e o fatiador mostra a massa nova a cada ajuste.
O suporte entra na conta e vira lixo. Se o fatiador estima 40 g na peça e 12 g em suporte, você pagou 52 g e jogou 12 g fora.
Parcela 2: a hora de máquina
A hora de máquina é a única parcela que você define, e ela costuma ser a maior da conta.
Ela cobre a ocupação da bancada, a atenção que a impressão pede e o tempo de tirar a peça, limpar a chapa e conferir o resultado. A máquina roda sozinha, e a bancada fica ocupada do mesmo jeito.
Escolha uma taxa por hora e use a mesma taxa em todas as peças. Comparar uma peça com outra só funciona quando a régua não muda no meio.
Exemplo, e só exemplo: R$ 3,00 por hora. Uma impressão de 4 horas soma R$ 12,00.
O tempo vem do fatiador, na mesma tela da massa. Camada mais fina, mais paredes e velocidade menor aumentam o tempo, e é ali que a parcela cresce sem você perceber.
Parcela 3: a energia da tomada
A energia é a parcela que mais gera discussão de bancada e a menor da conta na maioria das impressões.
Meça em vez de estimar. Um medidor de tomada mostra o consumo médio da sua máquina durante uma impressão real, com a mesa quente e o bico trabalhando.
A conta é potência média em kW, vezes as horas de impressão, vezes o preço do kWh impresso na sua fatura de luz.
Exemplo, e só exemplo: 0,1 kW médio durante 4 horas dá 0,4 kWh. A R$ 0,90 por kWh, a impressão fica em R$ 0,36 de energia.
A mesa aquecida puxa a maior fatia do consumo, e materiais que pedem mesa mais quente sobem a parcela. Mesmo assim ela continua pequena diante da hora de máquina.
Parcela 4: o desgaste de bico e de chapa
Bico e chapa são consumíveis de vida finita, e o custo deles se dilui por impressão.
A conta é a mesma nos dois: preço da peça de reposição dividido pelo número de impressões que ela atravessa até a troca.
Exemplo, e só exemplo: um bico de R$ 15 trocado a cada 30 impressões entra com R$ 0,50. Uma chapa de R$ 60 que dura 150 impressões entra com R$ 0,40. Somadas, R$ 0,90 na impressão.
Material com carga abrasiva encurta a vida do bico de latão de forma agressiva, e a troca passa a ser bem mais frequente. Quem imprime filamento com carga de fibra troca por bico de aço e recalcula o divisor.
Anote a data de cada troca. Sem histórico de troca, o divisor da conta é chute com cara de número.
A conta fechada, e como trocar cada entrada pela sua
Somando o exemplo: R$ 4,80 de filamento, R$ 12,00 de hora de máquina, R$ 0,36 de energia e R$ 0,90 de desgaste. A peça de exemplo sai por R$ 18,06.
A ordem das parcelas é a leitura útil da conta. A hora de máquina domina, o filamento vem em segundo, e energia mais desgaste somam R$ 1,26 na impressão de exemplo.
Para trocar as entradas pelas suas:
- No filamento, use a nota do seu rolo e a massa que o fatiador estimou para a sua peça.
- Na hora de máquina, use a taxa que você escolheu e o tempo estimado na mesma tela.
- Na energia, use o consumo medido na tomada e o preço do kWh da sua fatura.
- No desgaste, use o preço das suas reposições e o número de impressões entre trocas.
Nenhum valor de exemplo serve como cotação. Eles existem para mostrar onde cada entrada entra na conta e qual delas pesa.
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Por que o preço da máquina é a menor parte da conta
A máquina é uma parcela que se divide. Filamento, energia e desgaste são parcelas que se repetem.
A amortização é uma divisão simples: o que você pagou na máquina, dividido pelo número de impressões que ela vai atravessar até você trocar de equipamento. Cada peça nova baixa o valor de novo.
Quem imprime toda semana acumula centenas de impressões, e a parcela da máquina por peça encolhe até ficar menor que o desgaste do bico. O que continua cobrando o mesmo é grama, hora e kWh.
Resultado esperado quando você fecha a conta: um custo por peça que você reconhece, com a hora de máquina no topo da lista e a energia no fim dela.
Se o seu número sair muito diferente, confira duas entradas antes das outras: a taxa por hora que você escolheu e o tempo estimado pelo fatiador. As duas se multiplicam, e um erro em qualquer uma delas desloca a conta inteira.
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