A peça · Radar 3D
Impressão 3D em metal: fusão a laser, sinterização em forno e o caminho de quem só quer a peça
Fusão e sinterização · Leitura de 4 minutos

Neste artigo
Metal impresso não é a mesma máquina da bancada com outro rolo. O processo troca o termoplástico por pó metálico e a extrusora por laser ou por cabeça de ligante.
Duas famílias dominam o assunto, e a diferença entre elas é onde o metal vira sólido: dentro da máquina ou dentro de um forno, depois.
A peça final das duas sai densa, com propriedade mecânica próxima da peça usinada, e sai com superfície fosca e granulada.
Quem precisa de uma peça de metal quase nunca compra a máquina. Compra a peça, e o trabalho vira preparar o arquivo direito.
Fusão de leito de pó: o laser derrete a camada
A câmara recebe uma camada fina de pó metálico. O laser varre a seção daquela altura e funde o pó, que solidifica preso à camada de baixo.
Uma lâmina espalha a próxima camada de pó por cima e o ciclo repete. No fim, a peça está enterrada dentro de um bloco de pó, presa por suportes soldados na plataforma de metal.
Os suportes aqui não são o suporte fino que se quebra com a mão. Eles são metal soldado, existem para ancorar a peça contra a deformação térmica e saem por serra ou por usinagem.
Aço inoxidável, alumínio, titânio e ligas de níquel são os materiais comuns. A escolha entra antes do desenho, porque cada material tem espessura mínima e comportamento de contração próprios.
Deposição de ligante: imprime cru, sinteriza depois
A segunda família também trabalha em leito de pó, e o laser fica de fora. Uma cabeça de impressão deposita ligante líquido sobre o pó, colando as partículas na forma da seção.
O que sai da máquina é uma peça crua e frágil, feita de pó colado. Ela passa por remoção do ligante e vai ao forno, onde as partículas se soldam umas nas outras por sinterização, o processo que une o pó por calor sem derreter o material por inteiro.
A peça encolhe no forno, e a contração é grande o bastante para entrar no desenho desde o começo. O modelo enviado já sai maior que a medida final.
A vantagem prática está no empacotamento: sem suporte soldado, dá para encher a caixa de peças. A contrapartida é a etapa de forno, que acrescenta prazo e um ponto a mais de deformação.
Atmosfera controlada e pós-processo, nas duas
Pó metálico fino é reativo. Em contato com o ar, e principalmente com faísca, ele oferece risco de ignição, então a câmara roda com gás inerte e o manuseio pede equipamento de proteção e aspiração adequada.
O pós-processo é obrigatório nas duas famílias, e ele muda o prazo da peça.
- Alívio de tensão. Tratamento térmico antes de soltar a peça da plataforma, senão ela empena ao ser cortada.
- Separação e limpeza. Corte dos suportes, remoção do pó dos canais internos, jateamento da superfície.
- Faces de precisão. A superfície como sai da máquina é fosca e granulada. Onde o desenho pede tolerância apertada ou face lisa, a peça vai para a usinagem.
- Rosca. Rosca funcional costuma ser cortada depois, no material já sólido.
O mesmo princípio de leito de pó existe em polímero, com pó de nylon sinterizado a laser, e lá o pó solto segura a peça no lugar dos suportes soldados.
O caminho real: o serviço de impressão e o que enviar
O acesso é por serviço. A máquina exige instalação, atmosfera, gestão de pó e operador treinado, e a conta fecha quando ela roda cheia, o que não acontece numa bancada de casa.
O serviço trabalha melhor com um sólido fechado, e a maioria pede STEP em vez de malha, porque o formato sólido preserva a geometria exata das faces. Junto do arquivo vão quatro informações:
- Material e acabamento desejados, com a face que precisa ficar lisa marcada.
- Espessura mínima de parede conferida contra a que o serviço publica para aquele material.
- Tolerância declarada só onde ela importa, porque cada face apertada acrescenta usinagem.
- Quantidade, que muda o encaixe da sua peça no ciclo.
O preço vem do orçamento, e ele varia com o volume de material, a altura que a peça ocupa na câmara e o pós-processo pedido. Uma peça baixa e larga custa diferente da mesma peça em pé.
O filamento com carga metálica parece metal e não é
Existe filamento de bancada carregado com pó de metal. Ele pesa mais que o PLA comum, esfria com aparência metálica e fica convincente depois de lixado e escovado.
A resistência continua sendo a do polímero que segura o pó. A peça serve para aparência, peso e acabamento, e falha onde a carga real de metal seria necessária.
A carga também é abrasiva e come bico de latão, então o bico de aço vira requisito.
Existe ainda uma variante que vai a forno depois e vira metal de fato. O forno mora no serviço, não na bancada, e o caminho volta a ser o mesmo das duas famílias de cima.
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O resultado esperado de um pedido bem preparado é uma peça densa, fosca e fiel ao arquivo, com as faces marcadas já usinadas. Se a medida crítica voltar fora do desenho, confira a orientação usada na câmara antes de culpar o processo, porque a contração e o acabamento mudam com a posição da peça.
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