A peça · Guia
Prototipagem 3D: rodada curta, peça crítica e a folga medida com paquímetro
Ciclo de protótipo · Leitura de 4 minutos

Neste artigo
A peça no fatiador marca seis horas e tem um furo que precisa entrar num eixo. Imprimir as seis horas para descobrir o furo é o erro mais caro da bancada.
Prototipagem é um ciclo, e o ciclo tem quatro passos: imprime a parte crítica, mede, corrige, repete. Cada volta custa minutos quando o recorte está certo.
A parte crítica quase nunca é a peça inteira. É o furo, o encaixe, a trava, a rosca, a distância entre dois centros.
Quem imprime o modelo completo na primeira rodada compra tempo de máquina para testar uma medida de poucos milímetros.
A rodada curta: recorte só o que decide
Corte o modelo e imprima o pedaço que carrega a medida. Um bloco com o furo, um bloco com o pino, a aba da trava com o batente que ela encaixa.
O recorte precisa manter três coisas do original: a orientação na mesa, a mesma altura de camada e a mesma parede. Testar deitado uma peça que vai imprimir em pé devolve um encaixe que não existe.
Na rodada de teste, altura de camada mais alta dentro da faixa usual de 0,12 a 0,28 mm no bico de 0,4 mm derruba o tempo pela metade. Na rodada final, volte para a altura que a peça de verdade vai usar e confirme a medida de novo.
Serve o fatiador que você já usa, seja Cura, PrusaSlicer, OrcaSlicer ou Bambu Studio. O recorte é trabalho de modelo, não de máquina.
A folga de encaixe se mede, ela não se adivinha
Furo impresso na vertical sai menor que o desenho. A parede interna do círculo empurra material para dentro, e o eixo que entrava no computador não entra na bancada.
A folga que corrige a diferença depende de quatro coisas, e nenhuma delas é universal: o material, o diâmetro do bico, a calibração de fluxo da sua máquina e a orientação da peça na mesa. O tipo de ajuste também manda: encaixe deslizante pede folga maior que encaixe por pressão.
Por causa da lista acima, a folga se descobre com um teste, não com um valor copiado de um fórum.
Imprima uma escada: quatro ou cinco cópias do mesmo encaixe na mesma placa, cada uma com um passo de folga a mais que a anterior. Numere as cópias no modelo, meça cada uma com paquímetro e anote qual entrou com o aperto que a peça precisa.
O valor que sair da escada vale para a sua máquina, o seu bico e aquele material. Troque o rolo por outro tipo de filamento e refaça a escada, porque a contração muda com o material.
Uma variável por rodada, e o registro na bancada
Uma rodada que muda a folga, o material e a orientação juntos pode até entregar o encaixe. Ela entrega junto a dúvida de qual das três mudanças resolveu.
Cada volta do ciclo altera uma coisa. O resto fica congelado, inclusive o fatiador e o perfil.
Guarde a peça reprovada com a anotação do que ela era. Uma caixa com as rodadas em ordem vale mais que qualquer planilha, porque o encaixe se avalia com a mão.
Registre três campos por rodada: o que mudou, a medida encontrada no paquímetro e a decisão para a próxima. Três linhas resolvem.
O registro paga na segunda peça do mesmo projeto. Quando a folga já foi medida para aquele material e aquele bico, a peça seguinte começa do valor certo e pula duas rodadas inteiras.
Protótipo de forma e protótipo de função
Protótipo de forma responde se a peça cabe, se a mão pega bem e se o desenho fecha com o resto do conjunto. Ele aceita camada alta, parede única, preenchimento baixo e qualquer cor que estiver na máquina.
Protótipo de função responde se a peça aguenta. Carga, torção, encaixe repetido, calor, contato com água.
O protótipo de função exige o material final e os parâmetros finais. Testar resistência numa peça impressa com parede fina e preenchimento baixo devolve um resultado que a peça de verdade não vai repetir, e o erro aparece depois de montado.
A ordem que economiza filamento é forma primeiro, função depois. Confirme que a peça cabe antes de gastar horas provando que ela aguenta.
O erro de imprimir a peça inteira na primeira rodada
Três coisas acontecem quando a primeira rodada é a peça completa.
- O defeito aparece no fim. A trava fica no topo do modelo, e o teste só existe depois de horas de máquina.
- A correção vira chute. Com muita coisa errada de uma vez, a tentação é mudar três parâmetros juntos e perder o rastro.
- As gramas somem rápido. Cada rodada completa consome o material que dava para dez rodadas curtas.
A peça inteira tem uma hora certa de entrar: quando o encaixe já fechou no recorte e falta conferir montagem, folga entre partes e acabamento.
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Com o recorte certo, o ciclo fecha em três ou quatro rodadas curtas e a peça completa sai correta na primeira tentativa. Se o encaixe apertar demais depois de montado, meça de novo com o conjunto frio, porque a peça recém tirada da mesa ainda está morna e mede diferente.
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