A peça · Guia
Fatiador 3D: os cinco parâmetros que decidem a peça, e a regra de teste que impede o palpite
Onde a peça é decidida · Leitura de 4 minutos

A impressora não lê o modelo que você baixou. Ela executa uma lista de coordenadas, temperaturas e velocidades escrita pelo fatiador, linha por linha.
O fatiador é o programa que corta o modelo em camadas e escreve o caminho do bico dentro de cada uma. Duas peças do mesmo arquivo saem diferentes quando o perfil muda, e o arquivo continua igual.
Os nomes que circulam na bancada são Cura, PrusaSlicer, OrcaSlicer e Bambu Studio. O vocabulário abaixo aparece nos quatro, com nome parecido e no mesmo lugar da tela.
Cinco parâmetros respondem pela maior parte do resultado. O resto do painel só entra depois que os cinco estão resolvidos.
Altura de camada
A altura de camada é quanto o eixo Z sobe entre uma passada e a seguinte. Com bico de 0,4 mm, a faixa usual fica entre 0,12 e 0,28 mm.
O efeito visível está na curva e na diagonal. Camada baixa suaviza o degrau da superfície inclinada, e camada alta transforma a mesma curva em escada perceptível ao dedo.
O custo é tempo, quase proporcional. Metade da altura de camada dobra o número de camadas e dobra o tempo de máquina, com a mesma quantidade de material.
Peça funcional escondida dentro de um móvel aceita a altura maior da faixa sem prejuízo nenhum. Peça que fica à vista, com curva no topo, pede o outro extremo.
Número de paredes
Parede é a contagem de contornos que o bico desenha antes de começar o preenchimento. O fatiador chama de perímetro ou de casca, e conta em número inteiro, não em milímetros.
A espessura vem da conta: com bico de 0,4 mm, três contornos dão pouco mais de 1,2 mm de casca sólida. O valor exato depende da largura de extrusão configurada no perfil.
A resistência da peça mora aqui. Peça que verga sob carga ganha muito mais com um contorno a mais do que com preenchimento extra, porque a casca trabalha longe do centro.
Comece pelo número que o perfil da sua máquina já traz e suba de um em um. Cada contorno adicional custa tempo e gramas, e a diferença aparece antes de chegar a uma casca grossa demais.
Infill e padrão
O preenchimento interno não é maciço. Ele é uma estrutura vazada que sustenta as superfícies de cima e liga as paredes entre si.
O padrão muda o comportamento. Grade e linha são rápidos de imprimir, e o giroide distribui rigidez parecida nas três direções, com o bico percorrendo curvas em vez de cantos.
O efeito visível de subir o preenchimento aparece no peso e no tempo, e some rápido na resistência. Depois de certo ponto, a peça fica mais pesada e não fica mais forte.
A ordem de ajuste é fixa: parede primeiro, preenchimento depois. Use o valor do perfil como partida e mexa nele quando o topo da peça sair com bolha ou afundado entre as linhas de sustentação.
Retração
Retração é o recuo do filamento quando o bico atravessa um vão sem depositar material. Sem ela, a pressão dentro do bloco quente continua empurrando e o plástico escorre no caminho.
O sinal na peça é teia entre partes separadas e bolinha de material no ponto onde o bico chega. Retração exagerada dá o defeito oposto: falha no início da linha e clique no tracionador.
O valor não é universal e depende do caminho do filamento. Tracionador montado direto sobre o bico pede recuo curto, e tracionador afastado, ligado por tubo longo, pede bem mais.
Mexa em passos pequenos e imprima uma torre de teste com dois pinos separados. Material flexível é o caso extremo, porque o fio funciona como mola e a retração precisa cair para quase nada.
Suporte
Suporte é material impresso apenas para sustentar o que ficaria no ar, e depois arrancado. O fatiador decide onde ele nasce pelo ângulo limite de saliência configurado no perfil.
Mexa nesse ângulo e veja a pré-visualização mudar antes de imprimir. Ângulo mais permissivo tira suporte da peça e aumenta o risco de superfície caída na parte inferior das inclinações.
O custo do suporte é duplo: tempo com filamento que vai para o lixo, e marca na superfície onde ele encostou. A marca sai com lixa, e a superfície nunca fica igual à que imprimiu contra o ar limpo.
Antes de aumentar suporte, gire a peça. Orientação resolve mais saliência do que qualquer configuração, e a peça girada costuma sair mais forte no eixo que apanha carga.
Um parâmetro por vez
A regra de teste é curta: mude um parâmetro, imprima, compare, anote. Duas mudanças na mesma impressão entregam uma peça melhor sem dizer qual delas funcionou.
O teste precisa de tudo mais igual. Mesmo modelo, mesmo rolo, mesma temperatura, mesma chapa; rolo trocado no meio da comparação invalida a rodada inteira.
Use a pré-visualização antes de gastar filamento. Ela mostra o caminho do bico camada por camada, e boa parte dos erros de configuração aparece ali de graça.
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Espere uma peça com parede fechada, topo liso e tempo próximo do que o fatiador estimou. Se ela sair diferente, volte ao último parâmetro que você mexeu, devolva ao valor anterior e refaça a rodada com a mudança sozinha.
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