A peça · Guia
Impressora FDM: o caminho da camada do tracionador até a mesa, e as três falhas que ela deixa marcadas na peça
Do bico ao bed · Leitura de 4 minutos

Neste artigo
FDM é deposição de material fundido. A máquina empurra fio de plástico sólido por um bico quente, deposita um cordão fino sobre a mesa e sobe uma fração de milímetro para depositar o próximo.
A peça inteira sai desse ciclo repetido algumas centenas de vezes. Tudo que dá certo e tudo que dá errado na bancada acontece dentro de uma dessas passagens.
Quem conhece o caminho da camada lê a peça com defeito e sabe onde mexer. Sem o caminho, o ajuste vira sorteio, e cada tentativa custa filamento e hora de máquina.
Do tracionador ao bico: onde o fio vira fluxo
O tracionador é um par formado por engrenagem serrilhada e rolamento de pressão, com uma mola apertando um contra o outro. Ele morde o filamento de 1,75 mm, ou de 2,85 mm nas máquinas de fio grosso, e empurra.
O fio entra no dissipador, que precisa mantê-lo sólido até o último centímetro. Se o calor sobe pelo canal e amolece o fio antes da hora, ele incha e trava no meio do caminho.
No bloco quente o material passa de sólido a pastoso e sai pelo bico. O bico de 0,4 mm é o padrão da bancada, e o diâmetro dele limita a largura da linha e a altura de camada útil.
Com bico de 0,4 mm, a altura de camada usual fica entre 0,12 e 0,28 mm. Camada mais baixa dá superfície mais fina e mais tempo de máquina; camada mais alta faz o contrário.
O que sai pelo bico é vazão: a seção do cordão multiplicada pela velocidade do cabeçote. Subir velocidade sem que o bloco quente dê conta de aquecer o material é o caminho curto para linha falhada.
Movimento e resfriamento: a camada toma forma
O cabeçote desenha primeiro os contornos da camada, que formam a casca da peça, e depois preenche o miolo. Terminada a camada, o eixo Z sobe a altura configurada e o ciclo recomeça.
Cada cordão solda no cordão vizinho e na camada de baixo pelo calor que ainda carrega. A solda entre camadas é sempre mais fraca que a ligação dentro da mesma camada.
A consequência prática é de projeto, não de configuração. A peça quebra ao longo das linhas de camada, então a orientação na mesa decide onde ela vai partir.
A ventoinha da peça sopra o cordão recém depositado para congelá-lo no lugar. Sem ela, o material ainda mole cede sob o peso da camada seguinte e a peça perde a forma nas partes finas.
O resfriamento não é bom em qualquer dose. No PLA ele trabalha alto sem problema, e em material que contrai muito ao esfriar a ventoinha vira causa de peça descolando da mesa.
Adesão na mesa: a camada zero decide as outras
A primeira camada é a única que não tem plástico embaixo. Ela é esmagada contra a chapa, e a distância entre bico e mesa define se ela vira base sólida ou fio solto.
Distância grande demais deixa cordões redondos e separados, que se soltam ao primeiro toque do bico. Distância pequena demais deixa a camada transparente, com sulco de bico arrastado e borda levantada.
A mesa aquecida mantém a base da peça acima da temperatura em que o plástico enrijece. As faixas de partida mudam por material: PLA de 50 a 60 °C, PETG de 70 a 85 °C, ABS de 90 a 110 °C.
No bico, as faixas usuais são 190 a 220 °C para PLA, 230 a 250 °C para PETG e 230 a 260 °C para ABS. Comece pela faixa impressa na etiqueta do rolo e ajuste a partir dela, porque a etiqueta conhece a formulação e o artigo não.
Chapa limpa vale tanto quanto temperatura certa. Gordura de dedo é a causa silenciosa de peça que descola sempre no mesmo ponto da mesa.
As três falhas e o sinal que cada uma deixa na peça
Primeira camada
O sinal é a base. Cordão redondo, com vão entre as linhas e canto levantado, aponta para bico longe da mesa ou mesa fria para o material.
Confira nivelamento e distância antes de qualquer outra coisa. Peça que descola no meio da impressão quase sempre estava mal presa desde a camada zero.
Retração
Retração é o recuo do filamento quando o bico viaja sem depositar. O sinal da retração mal ajustada é teia fina entre partes separadas da peça e bolinha de material na saída de cada viagem.
O valor certo depende do tracionador. Tracionador montado em cima do bico precisa de pouco recuo, e tracionador afastado, com tubo longo até o bico, precisa de bem mais.
Ponte sem resfriamento
Ponte é o trecho impresso no ar, ligando dois apoios. O sinal é fio caído, pendurado no vão, com a superfície de baixo peluda.
A ponte depende de resfriamento imediato e de velocidade suficiente para esticar o cordão. Trecho longo demais no ar não é problema de temperatura: é geometria pedindo suporte ou peça girada.
O que ajustar primeiro quando a peça sai ruim
Comece sempre pela primeira camada. Ela é a base de todo o resto, e metade dos defeitos que parecem de configuração some quando a camada zero fica correta.
Depois olhe a temperatura, uma faixa por vez, dentro do intervalo do rolo. Subir dez graus resolve linha falhada e subextrusão; descer dez resolve borda escorrida e detalhe derretido.
Retração vem em terceiro, e sozinha. Mudar retração junto com temperatura entrega uma peça melhor sem dizer qual das duas mudanças funcionou.
Velocidade fecha a lista, porque ela mexe em tudo ao mesmo tempo: vazão, resfriamento e vibração da estrutura.
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Espere uma peça com superfície regular, camadas visíveis e base plana colada na chapa até o fim. Se a sua sair diferente, releia o caminho da camada de trás para frente, do sinal na peça até a etapa que o produziu, e mude um item por vez.
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